Sustentabilidade

HTE: Até 90% de Eficiência na Pintura Automotiva

Redução de desperdícios e processos industriais mais sustentáveis


O High Transfer Efficiency (HTE) se destaca por elevar significativamente a taxa de transferência de tinta, diminuindo emissões e otimizando custos operacionais. Para entender melhor como essa tecnologia funciona e quais benefícios ela entrega às linhas de pintura, entrevistamos Rafael Jacome, Gerente de Serviços e Projetos na Dürr Brasil, que compartilhou sua visão técnica e prática sobre a aplicação do HTE, seus impactos e as possibilidades de implementação.

O que é exatamente a tecnologia High Transfer Efficiency (HTE)?

Rafael: A tecnologia High Transfer Efficiency (HTE) é um conceito de aplicação robotizada que eleva significativamente o nível de taxa de transferência na pintura automotiva. Atualmente, as tecnologias de estado da arte alcançam cerca de 70% de eficiência, ou seja, de cada 1 litro de tinta pulverizada, apenas 700 ml aderem efetivamente ao veículo, os outros 30% são desperdiçados. A HTE leva esse patamar a um novo nível, permitindo atingir até 90% de taxa de transferência. Dessa forma, com o mesmo volume de tinta, é possível agregar muito mais valor ao veículo. Além disso, a tecnologia contribui diretamente para a redução das emissões de VOC (compostos orgânicos voláteis), atendendo às demandas da sociedade e às pressões regulatórias por processos fabris cada vez mais sustentáveis.

De que forma a HTE faz o aumento da taxa de transferência?

Rafael: O aumento da taxa de transferência ocorre a partir de modificações tanto mecânicas quanto no processo de pintura em si. A tecnologia introduz um novo conceito de aplicação, combinando:

- Dispositivos mecânicos específicos instalados no aplicador;
- Mudanças no método de pintura, envolvendo a forma como o robô e seus dispositivos operam.

Ou seja, a evolução ocorre em duas frentes: mecânica e programação.

A tecnologia HTE exige adaptações nas linhas de pintura existentes ou pode ser integrada de forma simples?

Rafael: A tecnologia HTE exige adaptações nas linhas de pintura existentes, mas essas intervenções são simples. A linha de pintura é composta por diversos equipamentos, e a alteração necessária ocorre apenas na configuração de parte dos robôs de pintura. Não há necessidade de modificar a linha inteira, evitando mudanças agressivas ou complexas. Uma intervenção pontual no robô já é suficiente para o cliente obter os benefícios da tecnologia.

 

Quais impactos diretos a tecnologia HTE traz para a sustentabilidade do processo de pintura?

Rafael: A demanda crescente por sustentabilidade leva a indústria a buscar a redução do consumo de recursos naturais e a diminuição do impacto ambiental, especialmente no tocante à emissão de VOC. A resposta da indústria a essa demanda ocorre em duas etapas:

1. Combate na fonte, idealmente, reduzindo as emissões diretamente no processo.

2. Medidas de contenção, caso não seja possível agir na origem, o que gera custos adicionais ao produto e, inevitavelmente, ao consumidor final.

Ao atuar na fonte das emissões de VOC, a tecnologia HTE permite reduzir 50% desses gases sem adicionar custos ao produto. 

 

Como os clientes podem ter acesso a essa tecnologia?

Rafael: Como cada tinta e cada sistema fabril têm características específicas, o primeiro passo recomendado é realizar testes laboratoriais no laboratório da Dürr Brasil para verificar a compatibilidade entre a tinta utilizada e a tecnologia HTE. Após confirmar a compatibilidade dentro das premissas de qualidade da linha ou do cliente, avança-se para a fase de negociação comercial e posterior implementação.

 

Essa tecnologia é aplicada apenas a equipamentos Dürr ou pode ser implementada em tecnologias de outros fabricantes?

Rafael: A tecnologia HTE também pode ser implementada em equipamentos de fabricantes concorrentes, de maneira simples.